Novembro 2006


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:.: Não demorou nada. Assim que soube que a Google* resolveu matar o Google Answers (como você soube aqui), a Yahoo publicou uma nota em que classifica a medida como “uma pena”, diz “acreditar no poder das comunidades, em pessoas ajudando pessoas a encontrar respostas”, e convida os pesquisadores do concorrente para participar de um grupo de discussão em que continuariam a fazer o que mais gostam: pesquisas na internet.

:.: O grupo recebeu o nome sugestivo de “pesquisadores no exílio”. Estive lá e agora sou o membro de número 38. Se estiver interessado, o endereço é Yahoo! Group for former Google Answers Researchers.

:.: Claro que a Yahoo está de olho é nos usuários do antigo serviço, que ficaram órfãos de um bom site de perguntas e respostas…

*: Sei não, andaram falando comigo sobre essa história de usar “o” Google ao tratar do mecanismo de busca e “a” Google quando a referência for à empresa. O mesmo valeria para o Yahoo e a Yahoo. Estou tentando me acostumar, mas que é estranho, isso é….

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:.: A primeira vez que vi, achei genial. A idéia era: faça qualquer pergunta, qualquer mesmo, e nossos especialistas em pesquisa acharão a resposta usando o Google. Seria uma espécie de oráculo.

:.: Mais que isso, vi ali um novo e interessante modelo de negócios. Quem fazia a pergunta estabelecia um preço para a resposta. Se o pesquisador (credenciado pelo Google) achasse justo, faria a pesquisa e daria a resposta. A pessoa que perguntou pagaria – também se ficasse satisfeito – via cartão de crédito, e o Google ficaria com uma porcentagem. Quem quisesse respostas melhores e mais rápidas, que propusesse um preço maior para atrair pesquisadores. As respostas poderiam ser comentadas por outros usuários, e depois seriam disponibilizadas para qualquer um.

:.: Nesse tempo todo, surgiram perguntas do tipo “porque as moscas são capazes de sobreviver ao microondas?” ou “considerando que o petróleo vem de fósseis, quantos tiranossauros há em 3,7 litros de gasolina?” E as respostas apareceram. Referenciadas com fontes fidedignas.  Diferente, por exemplo, do Yahoo Answers, que já existe em Português, mas em que qualquer um pode responder o que quiser.

:.: Mas, agora, o Google anunciou que o Google Answers vai acabar. Só vai ser possível fazer perguntas até o fim deste ano. Numa nota lacônica sob o título “Adieu to Google Answers”, dois engenheiros de software dizem que o projeto, em vigor há mais de 4 anos, partiu de uma idéia do próprio Larry Page, um dos fundadores do Google, e que valeu como experiência para o desenvolvimento de produtos para o futuro.

:.: Mas, sem qualquer explicação, agora não vai mais ser possível fazer perguntas, apenas navegar pelos arquivos. E eu que sonhava com o Google Answers em Português…

:.: Veja aqui como a blogosfera reagiu.

:.: Cyber Monday foi uma expressão criada no ano passado, pela Federação Americana de Comércio, para se referir ao início da temporada de compras on-line para o Natal. É uma derivação de outra expressão, antiga, a Black Friday, que nos EUA seria logo após o dia de Ações de Graças, quando usualmente as lojas fazem promoções.

:.: A escolha da segunda-feira não é à toa, se baseia em pesquisas que dizem que as compras neste dia, e neste período do ano, seriam bem maiores que normalmente. Há sites de e-commerce que questionam esses dados, mas tenho certeza que não acham ruim a repercussão.

:.: O conceito se popularizou por lá, e caiu na rede. Tanto que vários sites de compras estão em liquidação. Pena que não vendam para o Brasil. Aqui, de acordo com números da empresa de marketing on-line e-bit, as vendas do comércio eletrônico devem bater um recorde neste Natal, movimentando cerca de R$ 755 milhões (um crescimento de 64% em relação ao ano passado).

:.: Para que a gente não se sinta excluído nesta Cyber Monday, vale lembrar que, embora poucos, o Brasil também tem seus sites de comparação de preços, e de opiniões de usuários.  Saiba como eles funcionam aqui. Se preferir, vai uma pequena lista:   buscape.jpg 
> Divide os produtos em mais de 32 categorias, incluindo preços de combustíveis e tarifas bancárias. Base de dados atualizada diariamente, ou de 6 em 6 horas. Desde maio de 2006, se fundiu ao Bondfaro.

bondfaro.jpg > Tem como mascote um cão Bloodhound, de melhor faro do mundo. Destaca que o diferencial é o software proprietário. Está em vários países.

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> Tem recursos exclusivos, como gráficos que permitem conhecer as variações de preços de um produto, a “prancheta eletrônica”, para fazer anotações, ou ainda o alerta, que avisa o usuário por e-mail quando o produto alcançar um preço pré-definido.

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> Ligado a uma empresa de pesquisa de marketing on-line, permite que o consumidor classifique as lojas com medalhas de bronze, prata, ouro ou diamante, o que pode ser um bom referencial. 

igshopping.jpg > Pode ser uma opção interessante, como o UOL Shopping, que citei aqui. Vale a pena ainda ler este artigo, e este outro.

:.: Em que está se transformando a internet? O que fazer para tirar proveito das novas ferramentas?
:.: No início de dezembro, dois cursos/workshops parecem dispostos a responder – ao menos discutir – essas questões.

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 :.: O primeiro trata de “Web 2.0 e Produtividade”, sob o enfoque de um desenvolvedor Web, Élcio Ferreira. No hot site de divulgação, os organizadores destacam que “a maneira como produzíamos software excelente não serve mais para a web“. Vai ser em São Paulo, dia 5 de dezembro, como você vê aqui. O Webinsider deu destaque, e vale a pena ler o artigo que fizeram sobre o tema.

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:.: O desenvolvimento de projetos de inteligência coletiva é o tema de outro curso, nos dias 7 e 8 de dezembro, em Brasília. Carlos Nepomuceno, com 11 anos de experiência e mais de 200 projetos de sites e sistemas desenvolvidos na Internet, se propõe a responder questões “simples”, como:  A Web 2.0 – o que é e como implantar projetos nesta nova etapa da rede? O novo papel dos profissionais de comunicação, informação, educação, conhecimento e tecnologia neste novo ambiente. Metodologia de implantação de projetos: por onde começar? Por quem? De que forma? Com que grupos? Em que setores?
:.: Pretendo acompanhar pelo menos um dos dois, e trago detalhes sobre o assunto.

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 :.: A conceituada revista The Economist  publicou recentemente uma coletânea de artigos com o tema “The World in 2007″. Com o mundo mudando em ritmo vertiginoso, é compreensível que os exercícios de futurologia se limitem a projeções cada vez mais próximas, para o ano seguinte, e ainda assim com grandes chances de errar.
:.: O artigo que dá nome a esse post tem as idéias de ninguém menos (inevitável o chavão) que o todo-poderoso do Google, Eric Schimdt. Destaquei alguns trechos, mas vale a pena ler o artigo todo:

@ A internet é muito mais que uma tecnologia – é um modo completamente diferente de organizar as nossas vidas. (…) E é surpreendente que tantas empresas ainda estejam contra a rede, tentando resolver problemas de hoje com soluções de ontem. Apostar contra a internet é estúpido, porque você estaria apostando contra a engenhosidade e a criatividade humanas.

@ Em 2007, vamos testemunhar a preponderância de padrões abertos. (…) Softwares que atualmente estão no computador do usuário vão ser substituídos por serviços basados na internet, que permitirão ao usuário escolher o formato dos documentos, as ferramentas de busca e o tipo de edição que melhor atendam a suas necessidades.

@ Estamos entrando na era da “computação de nuvens”, com as informações armazenadas na atmosfera difusa do ciberespaço em vez de em processadores específicos. A rede será o computador.

@ O surgimento de tecnologias que facilitam a produção e a distribuição de conteúdos, tornando possíveis Google, MySpace, YouTube, Gmail, Yahoo! e Microsft Live, está ainda começando, transformando áudio, vídeo, texto e informações digitais em serviços fáceis de usar.

@ A simplicidade venceu a complexidade. A acessibilidade triunfou sobre a exclusividade. O poder está cada vez mais nas mãos dos usuários.

@ Essas tendências têm três consequências importantes. Primeira: novas aplicações podem ser criadas usando os softwares e protocolos já existentes. (…) Segunda: a competição cresce e se intensifica, estimulando a inovação e garantindo que os novos produtos sejam mais ágeis e baratos. (…) Por último, a criação, o consumo e a comunicação de novos conteúdos cresce exponencialmente. Pesquisadores da Universidade de Berkeley estimam que o mundo gerou o dobro de informações em 2002 em relação a 1999.  Para ter uma idéia do que isso significa, seria o equivalente de informações absorvidas ao assistir televisão por 40.700 anos.

@ As partes da internet com crescimento mais acelerado envolvem direta interação humana.(…) As tendências apontam no sentido do fortalecimento de redes sociais (como o Orkut) e dos blogs, com a criação e compartilhamento de conteúdo. A internet está ajudando a satisfazer nossas necessidades humanas mais fundamentais: nosso desejo por conhecimento, comunicação e um sentimento de “fazer parte”.

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:.: Parece muito com buscadores semelhantes, como o Buscapé. Na verdade, não vi muita diferença – ou vantagem. A não ser que se pense em concorrência, nesses tempos de compras de Natal. O novo Shopping UOL  pesquisa o item que você quer comprar em diversos sites de venda on-line.
:.: Já achei estranha a frase que o acompanha – está lá no portal do UOL, ao lado do Shopping UOL : “compara a acha o menor preço”. Se estiver no imperativo, está errado. Se não estiver, e a intenção for apenas descrever o serviço, foge ao estilo do resto da página.
:.: Mais importante que isso, é saber se funciona. Pra mim, tem uma falha primária: não há um sistema de pontuação das lojas, ou qualquer ranking de credibilidade, pra saber se a gente pode comprar nos sites indicados sem medo. Claro que o UOL trata logo de esclarecer que não tem nada a ver com os vendedores, mas a gente fica se perguntando: e com os usuários?
:.: E se o interesse é variedade, ainda fico pensando que o bom e velho Mercado Livre, com todos os seus riscos, pode ser melhor opção. Por exemplo: pode ser que você não queira comprar, apenas fazer uma pesquisa de preços, ou de produtos, com detalhes ou, ainda, conhecer a opinião de compradores. É aí que o Shopping UOL fica na poeira.
:.: Mas, como tudo tem seu lado bom, pode ser também que você seja vendedor, ou tenha algum serviço a oferecer. No seu lugar, eu não desprezaria um portal que, na estratégia de divulgação, alardeia dados como os seguintes:
- Mais de 89% dos usuários que entram nos maiores sites de e-commerce passam pelo UOL
- Quase 100% dos usuários que entram em shoppings online passam pelo UOL
:.: E, claro, pediria pra ver essa pesquisa…

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:.: Ainda não são muitos, mas já começam a aparecer, no Brasil,  alguns guias on-line de viagem que podem ser úteis, especialmente agora, na véspera das férias. Desde outubro, uma parceria entre as revistas Viagem e Turismo e National Geographic, o Guia Quatro Rodas e o site Decolar resultou no portal Viaje Aqui.
:.: São 22 canais onde é possível desde fazer reserva de hotel até saber a melhor rota de carro (para quem se aventurar nas nossas estradas esburacadas).
:.: É possível ver e escrever comentários, mas isso ainda não é o forte do site, e nem chega aos pés de portais como o Trip Advisor, cheio de opiniões de gente real e sem compromissos comerciais.
:.: É um alento saber que já é possível acessar conteúdo sem necessidade de senha de assinante, a não ser que se queira consultar arquivos.
:.: Mas não se empolgue demais. Às vezes, dá a impressão de que as informações ficaram pela metade. Na consulta sobre Salvador, por exemplo, encontrei 5 ou 6 matérias, o clima, a possibilidade de traçar a rota até a cidade, destinos relacionados, guia “onde é melhor”… mas a relação de hotéis só tinha 10 itens.

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:.: Já pensou como seria um buscador que premiasse os usuários? Melhor: já pensou se o Google, além de bons resultados, desse prêmios? Pois acredite. Nos Estados Unidos, dá.

:.: Não é bem o Google, mas um “parceiro”, como se define. Significa que os resultados são do Google, o esquema de marketing, também, e os lucros, divididos. O Blingo dá desde ingressos para cinema até um Mustang zero para quem fizer a busca ali.

:.: Nem precisa de cadastro. Mas, se o usuário topar criar uma conta, pode indicar o site para os amigos. E aí, se o indicado for pé-quente e ganhar, um prêmio igualzinho vai para quem indicou. Mas nem se anime. Os prêmios só são garantidos para quem é americano.

:.: O estudo não é brasileiro, nem tem como base a Wikipedia em Português. Mas faz pensar.
:.: Quando é feita uma busca no Google, os 1o primeiros resultados sempre trazem alguma resposta da Wikipedia. Ou quase sempre: em 80,9 % dos casos.
:.: No Yahoo, a coisa se repete: em 77 % dos casos, tem pelo menos uma resposta apontando para a enciclopédia livre.
:.: Já o MSN Search é diferente: em 61,6 % das buscas realizadas, não aparece nenhum resultado ligando à Wikipedia.
:.: Pulgas atrás da orelha: Se a maioria das respostas é da Wikipedia, isso seria um atestado de credibilidade? Isso quer dizer que os usuários estão confiando nas informações que em tese podem ter sido escritas por qualquer um? Se Google e Yahoo estão dando resultados semelhantes, eles estão mais parecidos? O que o MSN tem de diferente que dá uma esnobada na enciclopédia livre? E, mais importante: será que dá pra confiar na metodologia da pesquisa?
:.: Eu vi no Micro Persuasion, mas o autor da pesquisa é outro blogueiro, Jure Cuhalev. Veja o estudo completo, em PDF, no original em inglês, aqui.

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