Dezembro 2006


:.: Se o conjunto de termos de busca usados durante um período pode definir um grupo de usuários, qual é o método que o Google usa para elaborar o seu Zeitgeist?

:.: Uma análise mais apurada da lista divulgada mensalmente pelo Google sugere que ela não é fiel aos termos usados pelos usuários, mas na verdade uma seleção. O próprio Google, na apresentação do Zeitgeist, revela: “para compilar estas listas e gráficos, nós reunimos uma variedade dentre os termos mais populares digitados no Google”.

:.: O raciocínio faz sentido, uma vez que seria necessário agrupar alguns termos para que eles chegassem aos primeiros lugares. Por exemplo, o terceiro termo mais buscado no Brasil em novembro de 2006 – pasme – foi rbd. Para quem não sabe, trata-se do Rebeldes, da novelinha de mesmo nome. Mas acho difícil que todas as adolescentes apaixonadas que teclaram em busca do grupo digitaram simplesmente rbd. Algumas buscaram rebeldes, assim, com minúsculas. Outras, quem sabe, Rebelde, no singular. Mas, agrupados, todos viraram um termo só, que galgou os primeiros lugares.

:.: Como isso é possível? E como é possível, ainda, que os internautas estejam tão bem comportados, que ninguém usou qualquer termo relacionado a “temas adultos” (sexo, para deixar o eufemismo de lado)? Sim, porque se é feito um agrupamento, vários termos como … bem, você sabe quais, poderiam ser agrupados em apenas um, sexo. Mas, não, parece que nenhum usuário do Google tem interesse nisso.

:.: O assunto chamou a atenção da revista Business 2.0, que entrevistou Douglas Merrill, o VP do Google responsável pelo Zeitgeist. E ele assumiu: a lista do Zeitgeist é realmente fruto de um algoritmo, ou seja, complexos cálculos matemáticos. Merrill diz que a intenção do Google não é mesmo listar os termos mais populares, mas aqueles que estão ganhando popularidade mais rápido. Os únicos termos eliminados, informa, são “Google”e seus produtos. “Por pura modéstia”, afirma.

:.: E a procupação do internauta com o sexo? Merrill diz que isso continua constante. Mas como já representava boa parte do interesse de quem fazia busca, a popularidade desses termos não variou o suficiente para que aparecessem na lista.

:.: É uma explicação, mas a mim levanta mais dúvidas que respostas.

Primeiro, não entendo porque os critérios são tão obscuros.
Segundo, uma vez que nao aparecem empresas na lista, isso quer dizer que os interesses comerciais dos usuários são descartados ou apenas não revelados gratuitamente?
Terceiro, como fazer para ter dados realmente confiáveis sobre o que Battelle chama de “base de dados de intenções”, ou seja, como ter uma idéia real dos termos mais usados pelos usuários?
Quarto, será que os analistas e estudiosos ( que utilizam o Zeitgeist para reportagens e teses ) estão atentos aos critérios adotados na definição da lista? Porque se não estão, muito do que já foi dito não merece crédito…

:.: Como não são divulgados muitos dados sobre as intenções de busca em Português, vamos usar as informações disponíveis nos Estados Unidos, mesmo. Ao dar uma olhada nas listas de termos mais buscados ao longo de 2006 em diferentes buscadores, a impressão que se tem é que se trata de diferentes lugares, ou diferentes períodos:

zeitgeist-compare.jpg

:.: Só há uma coincidência, ainda assim em apenas dois buscadores: American Idol, motivado pelo reality show que no Brasil se chamou Ídolos.

:.: Para Nichola Carr, do Rough Type, antes de ser prova da diferença entre os buscadores, isso mostra que o perfil dos usuários de cada buscador é que é diferente. Não sei se concordo com ele. Afinal, Britney Spears, que aparece em primeiro no Yahoo, já frequentou as listas do Google. Mais que isso. Lá, aparece como sendo a principal busca em 2003 e 2004. Como é que sumiu, agora? Talvez seja interessante ilustrar com a tabela do Google Zeitgeist dos últimos anos, como fez o Allen Stern:

zeitgeist-aos-anos.jpg

:.: Curiosamente, quando Britney sumiu do Google, passou a aparecer no Yahoo: justamente em 2005 e 2006. Veja abaixo a evolução da busca no Yahoo.

zeitgeist-yahoo.jpg

:.: Ou o Google mudou os critérios de inclusão na lista (e não explicou como, nem os motivos), ou o usuário do Google não quer mais saber de celebridades que, aliás, dominam a lista do Yahoo.

:.: Talvez a diferença não esteja no usuário, mas no buscador. O Tecdirt já concluiu, por exemplo, que o MSN tem um ambiente mais favorável a compras que o Google. Isso quer dizer que quem faz buscas no MSN fica mais tentado a teclar nos anúncios. Quem sabe o “ambiente” também influencie os termos usados para a busca, vai saber.

:.: Mas, na verdade, acho que o interessante, mesmo, seria cobrar dos buscadores critérios mais claros para a inclusão nas listas de termos mais buscados. Transparência, já!

:.: No último mês, Ronaldinho foi o nono termo mais buscado no Google da Noruega. Angelina Jolie, o quinto no Reino Unido. E Lost, possivelmente influenciado pelo seriado de mesmo nome, o décimo da Grécia. Se a idéia era ter uma visão do que está atraindo a atenção das pessoas daqueles países, está aí um bom termômetro.

:.: O Google usou uma expressão alemã que significa “o espírito dos tempos” para definir o comportamento dos usuários diante do mecanismo de busca: “zeitgeist” ( pronuncia-se záitigaiste). O Google Zeitgeist é disponibilizado mensalmente, pelo departamento de Relações Públicas do Google,  com os principais termos de busca em 38 países e nos Estados Unidos. No final do ano, como aconteceu recentemente, é disponibilizado o relatório anual.

:.: Cada mecanismo de busca tem o seu próprio modelo de zeitgeist. O Yahoo chama o seu de Yahoo Buzz.    O AOL, de Hot Searches.

:.: É do jornalista John Battelle, autor do livro “A Busca”, a melhor definição da importância do zeitgeist:

“De conexão em conexão, de clique em clique, a busca está construindo possivelmente o mais duradouro, forte e significativo artefato cultural da história da espécie humana: a Base de Dados de Intenções.” (…) “Uma enorme base de dados de desejos, necessidades, vontades e preferências que podem ser descobertas, citadas, arquivadas, seguidas e exploradas para todos os fins.”

:.: O que mais me preocupa, nesse comentário, é o trecho “todos os fins”.

:.: Nos próximos posts, tentarei analisar as informações sobre “intenções de busca” divulgadas por alguns dos principais mecanismos de busca neste fim de ano. Por enquanto, está aí o Google Zeitgeist brasileiro de novembro .

zeitgeist-novembro.jpg

:.: Veja aqui outras definições para zeitgeist.

677331_santas_hat.jpg:.: Para minha filha, o Natal deste ano não vai ser igual ao do que passou. Um fato, no finalzinho, já quando o ano se despedia, o transformou em um marco. Uma amiguinha afirmou, com toda a autoridade, e argumentação convincente, que Papai Noel não existe.

:.: Vi nos olhos dela o desapontamento, e eu mesmo me perguntei se isso abalaria a confiança dela em nós. Se havia mentido a esse respeito - poderia ela concluir - o que mais eu estaria escondendo?

:.: Duas semanas atrás, no Yahoo Answers, uma tal Nana se angustiava com situação semelhante. Perguntava: “É certo falarmos para uma criança que Papai Noel não existe?” E explicava: “minha prima de 5 anos não acredita em Papai Noel, pois minha tia acha uma bobeira incentivar essa “mentira” as crianças, mas ela não estaria tirando o direito da criança fantasiar? “

:.: Enquanto escrevo esse texto, a Nana – a quem sou grato por levantar a questão – já obteve 417 respostas. A escolhida como melhor foi a de uma tal Lady Fall: “se a mãe dela quer que a filha não tenha fantasias, ela vai crescer uma pessoa amarga e sem lembranças de como era divertido ser criança. As minhas melhores lembranças são quando eu era criança e acreditava nessas coisas.” Pronto, vou votar na Lady Fall também. Ela me deixou mais tranquilo. 

:.: Mas vamos adiante. Talvez possamos “googlar” a questão. Uma busca com os termos “quando criança descobre papai noel não existe” retorna 17.100 respostas. Tem uma página que fala sobre os direitos da criança e inclui entre eles “sofrer quando descobre que Papai Noel não existe”. Mas foi mesmo a primeira da lista que chamou a minha atenção.

:.: É de um blog, Lugar Nenhum, que vou destacar:

“Tem uma hora que toda criança descobre que Papai Noel não existe. Ainda que os pais tentem prolongar ao máximo isso, é uma das primeiras coisas que crianças espertas sacam na escola, entre os amiguinhos.
Internet uma ova, a escola é nossa primeira experiência com as maravilhas de uma rede de informação, a coisa toda é Peer-to-peer: Alguém descobre a verdade e querendo ou não, a informação acaba vazando e se espalha rapidamente entre sussurros, muppy e bisnaguinhas de pão: Papai Noel não existe. É tudo armação dos pais pra obrigar a gente a se comportar. ( mesmo antes da internet já fervilhavam as teorias conspiratórias de dominação global )”

:.: O autor, que assina apenas “Mário”, segue avaliando as reações de cada um diante da revelação. Ele conta que, no caso dele, continuou fingindo que acreditava em Papai Noel porque achava “muita crueldade” acabar com a ilusão dos pais. Embora soubesse que os pais iriam descobrir algum dia. “Isso é crescer”, afirma. É, acho que preciso crescer.

 :.: O problema é que está mesmo cada vez mais difícil manter o mistério, quando qualquer criança tem à disposição contra-provas poderosas, na internet. Onde se escreve o que se quer, e muitas vezes se lê o que não se deve.

santaradar.jpg:.: Mas o Google, com sua “boa intenção de fazer sempre o bem”, está do nosso lado. O Google Earth tem um radar para localizar o Papai Noel. A informação oficial é de que está rastreando os passos do bom velhinho a cada dez segundos. Se você ainda não acredita em Papai Noel, está aí a prova que faltava. Com assinatura da Nasa, e tudo. Quer saber onde está o Papai Noel neste momento? Basta fazer o download da versão 4.0 do Earth e do programinha do Google Santa Tracker. Só não tente convencer a minha filha. Vai ser preciso primeiro convencer a amiguinha dela.

:.: O caso do técnico de computação condenado com base nos termos de busca que usou no Google não é isolado. O Google Blogoscoped lembra de outros dois.

:.: O primeiro, retratado pelo India Times, ficou conhecido como o “Google Murder”, ou “Assassinato Google”. Um indiano (de 34 anos), Anurag Johri, que estudava em Birmingham, na Inglaterra,  matou a esposa  (de 29)  com um taco de basebol.

:.: Eles se casaram na Índia, em 2001. Chegaram à Grã-Bretanha em 2003. Anurag Johri foi estudar. A esposa, Deepti Anurag, trabalhar na mesma universidade. Anurag achou que o emprego estava deixando a esposa “muito independente”. Eles se separaram em setembro de 2005. Anurag comprou um taco de basebol. Em novembro, foi ao alojamento da esposa, se desentendeu com ela, e a acertou com o taco na cabeça.

:.: As investigações concluíram que Anurag Johri havia, dias antes do crime, usado o computador da University of Central England, onde estudava, para fazer pesquisas. Entre os termos de busca, “dicas para matar com taco de basebol” e “como assassinar alguém e não ser pego”.

:.: O outro caso, citado também pelo Blogoscoped, é o de Robert James Petrick. A esposa dele estava desaparecida há dias quando ele usou o computador para fazer busca com os termos “profundidade do lago Falls”. Cinco meses depois, um pescador encontrou o corpo da vítima. No lago Falls.

:.: A promotoria encontrou as evidências no computador de Robert, o que sugere duas coisas: ou alguém entrou no computador para descobrir (não sei se precisaria de algum mandado para isso) ou o mecanismo de busca revelou as informações. Mas como souberam o dia exato em que a busca com aquele termo foi feito? Estaria ele logado numa conta do Google, por exemplo, que registra dia, e termos usados, ligando-os ao usuário?

:.: Aconteceu nos Estados Unidos, claro: Matthew Schuster, técnico de computação, pegou 15 meses de prisão por “hackear” a empresa em que trabalhava. “Hackear”, entenda-se, quer dizer invadir sistemas operacionais, ou páginas de internet. Neste caso, Schuster se valeu para isso de uma arma poderosa, para quem sabe usar: o Google.

:.:  A história, contada pela CNET News, é a seguinte: o tal do Matthew começou a trabalhar para a Alpha Computer Services em 2000. Ele dava suporte técnico a um sistema  wireless chamado CWWIS, do qual também era usuário como consumidor.

:.: O rapaz foi demitido em 2003. O serviço que ele usava em casa foi bloqueado, e ele recebeu de volta o que já tinha pago adiantado.  Porém, Matthew continuou a acessar a rede e, segundo a acusação, para isso usava logins e senhas de outros clientes. Isso, segundo a empresa, além de ilegal, prejudicava o acesso dos usuários legítimos.

:.: Em outubro de 2003, a polícia conseguiu um mandado de busca e apreendeu o computador que ele usava. Schuster foi processado e declarado culpado, com pena de 15 meses de prisão, restituição de u$ 19.060,00 e três anos em regime de liberdade condicional. Ele recorreu e perdeu.

:.: O curioso, nessa história, é que foram usados, como peça de acusação, os termos de busca que eram digitados quando Matthew fazia pesquisas no Google. E ele usou: “fazer equipamento para interferir em rede wireless”, e  “como criar interferência s0bre wifi 2.4 GHZ”, e ainda “interferência em redes wireless 2.4″.

:.: São três as hipóteses sobre a maneira como o FBI descobriu esses termos: uma análise da memória cache do histórico do browser (o navegador), a denúncia de algum funcionário da Alpha encarregado de monitorar o sistema, ou simplesmente um pedido feito pela polícia ao Google, que teria a possibilidade de identificar o usuário relacionando o seu endereço IP a cookies (pequenos arquivos de texto gravados em seu micro quando você visita um site).

:.: O Google, diz a CNET News, admite que tem condições de repasssar esse tipo de informação, mas negou veementemente que faça isso, ou qual o volume de pedidos desse tipo. A Microsoft disse jamais ter recebido esse tipo de pedidos, em função de buscas no MSN. Já a AOL diz que não poderia revelar os dados, mesmo se quisesse.

:.: E você, em que acredita? É legítimo usar os dados de busca como prova do que quer que seja?  

linkdoestadao.jpg:.: Há tempos acho o Link, do Estadão, o mais inteligente caderno de informática dos chamados jornalões. Informativo, sem ser pedante ou técnico demais, pode ser lido pelo mais cru dos leigos, ou pelo mais inserido dos digitais.

:.: No caderno desta semana, um perfil quase entrevista do designer de moda Alexandre Herchcovitch é bem ilustrativo sobre o que pode ser a diferença entre Web e Internet. O estilista diz que, para buscar inspiração para as suas coleções, prefere recorrer a livros, revistas, textos e viagens. “A forma de pesquisar está viciada. Todo mundo pensa que basta digitar uma palavra-chave no Google e pronto.”

:.: Por outro lado, Herchcovitch assume que “90% das minhas conversas são por e-mail ou mensageiro instantâneo. Falo o mínimo por telefone”. E dispara, politicamente incorreto: “se o notebook dá problema por um dia que seja (…) fico aleijado sem ele.”

:.: A dúvida que surge, então, é: o Alexandre gosta de Internet, mas não usa muito a Web, ou desconfia da Web, mas não vive sem a Internet? Para esclarecer, resolvi transcrever aqui uma versão de um trecho da Webopedia:

A diferença entre Internet e World Wide Web

“Muita gente usa os termos Internet e World Wide Web (ou apenas Web) indistintamente, mas de fato os dois termos não são sinônimos. A Internet e a Web são duas coisas separadas, embora relacionadas.

A internet é uma gigantesca rede de redes, uma infraestrutura em rede. Ela conecta milhões de computadores globalmente, formando uma rede em que qualquer computador pode comunicar-se com qualquer outro computador deste que ambos estejam conectados à Internet. A informação que viaja pela Internet o faz por meio de uma variedade de linguagens conhecidas por protocolos.

A World Wide Web, ou simplesmente Web, é uma maneira de acessar informação por meio da Internet. É um modelo de compartilhamento de informações construído sobre a Internet. A Web usa o protocolo HTTP, que é apenas uma das linguagens utilizadas na Internet, para transmitir informações, e serve-se de browsers, como o Internet Explorer, para acessar documentos chamados páginas (home pages), que estão ligados uns a outros por meio de hyperlinks. Documentos Web também contém gráficos, sons, textos e vídeos. 

A Web é apenas uma das maneiras pelas quais a informação pode ser disseminada pela Internet. A Internet, não a Web, é utilizada ainda para e-mail, Newsgroups, Instant Messaging e FTP. Portanto a Web é apenas uma parte da Internet, embora uma grande parte, mas os dois termos não são sinônimos e não devem ser confundidos.”

:.: E então, qual é mais o seu estilo: a Web ou a Internet?

:.: Nos Estados Unidos, há quem fique de olho nas novas patentes de produtos, para tentar antecipar o que vai ser a grande novidade do século.

:.: O MacPress divulgou que o escritório de marcas e patentes publicou a mais nova patente obtida pela Apple: um sistema de reconhecimento de fala. Deu até o número, com o qual é possível obter mais detalhes: 7.149.695.

:.: O método usaria “inferência semântica” e “aglomeração de palavras”, o que, a meu ver, embora não diga muito, significaria reconhecer as palavras dentro de um contexto, e permitir que elas façam sentido quando formarem uma frase.

:.: Na justificativa, a Apple diz que a inferência semântica permite uma abordagem mais tolerante em relação à linguagem adotada pelo usuário, o que siginifica dizer que seria possível ao computador entender mesmo frases que não façam parte de uma listagem pré-definida. Por exemplo, o computador “entenderia” o comando “vamos fazer uma nova planilha” mesmo que o comando padrão, previsto originalmente, seja o uso das palavras “abra o Microsoft Excel”.

:.: O que será que isso pode representar em termos de interação com o computador? Aliás, cá pra nós, quem disse que esse tipo de recurso se limitaria ao computador, sendo a Apple quem é no setor de multimídia?

:.: E a busca, onde entra?

:.: Ao melhorar o reconhecimento de voz, não seria possível também melhorar a indexação de arquivos em áudio, o que poderia ser feito automaticamente? Pense comigo. Longos discursos, ou entrevistas, quem sabe até músicas, poderiam, por essa tese, ser melhor reconhecidos, e automaticamente classificados.

:.: Assim, muito mais arquivos em áudio poderiam estar disponíveis para consulta, e a busca na Web, ou mesmo em servidores próprios, seria muito mais fácil, não é não? E olha que nem falei das vantagens para as pessoas com deficiência…pense no que tudo isso representaria para quem não pode enxergar…

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:.: O recente relatório da McAfee, que reflete a insegurança envolvida numa simples operação de busca na Web, traz um dado impressionante, que está sendo pouco destacado: os sites pagos que aparecem como resultado de uma pesquisa são aproximadamente três vezes mais arriscados que os listados a partir de critérios de relevância (orgânicos). Isso quer dizer que os mecanismos de busca são mantidos, em boa parte, por esquemas fraudulentos, e verdadeiros piratas da internet.

:.: O mercado de busca paga vai atingir, só nos Estados Unidos,  a marca de 16 bilhões de dólares em 2006, segundo pesquisa eMarketer. Considerando que os preços de anúncio pagos pelos sites arriscados são iguais aos pagos por quaisquer outros, a McAfee conclui que os mecanismos de busca vão lucrar, levando perigo aos usuários, U$ 1,28 bilhão. E é a empresa de Bill Gates que tem a maior parte de anúncios pagos arriscados: mais de um a cada dez. O Ask tem os menores índices, não menos preocupantes: 6,5%.

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 :.: A favor dos mecanismos de busca, se diga que eles proibem práticas fraudulentas, nos termos e condições dos contratos assinados com os anunciantes. Mas parece que isso não basta.

:.: De que tipo de riscos estamos falando?

:.: Pela sistemática de avaliação da McAfee (que você conhece melhor aqui), os sites arriscados são classificados em duas categorias: amarelo ou vermelho. E o que eles trazem de presente? Os amarelos adotam práticas condenáveis, como mostrar muitas janelas “pop-up”, mandar muitos e-mails para os visitantes, ou levar o usuário a mudar as configurações de seu browser. Os vermelhos, potencialmente mais perigosos, foram os que efetivamente falharam nos testes da McAfee, distribuindo “adware”, mandando grande volume de “spams” ou fazendo alterações não autorizadas no computador do usuário. freedownloadscobrados.jpg

:.: Dentre as ameaças mais comuns, está a malandragem de cobrar por um download que deveria ser gratuito. São casos como o da figura ao lado, em que um espertinho quer cobrar pelo Firefox, que todo mundo sabe que é gratuito. Outros querem cobrar, por exemplo, para fazer cadastro na loteria do Green Card, o visto permanente para os EUA.  Mas o cadastro não é cobrado pelo governo americano.

 :.:  Outros riscos envolvem facilidades, mamatas, que atraem pela má fé dos próprios usuários. Aqueles esquemas de pirâmides que vão fazer a pessoa enriquecer, ou belas oportunidades de virar magnata trabalhando em casa. falsokazaa.jpg

:.: A McAfee remete a um outro estudo, de Benjamin Edelman, bem esclarecedor sobre o tipo de riscos que podem estar nos links patrocinados, especialmente do Google. Faz concluir que é preciso analisar muito bem o anúncio antes de clicar nele. Uma das artimanhas seria ter endereços semelhantes a sites conhecidos. Este aí ao lado, por exemplo, se faz passar pelo Kazaa.

:.: O estudo de Edelman acusa o Google, diretamente, de ser responsável nos casos em que os anúncios causem transtornos aos usuários. Eu estou com ele. E vou além. Fico pensando o que será da busca paga se todos passarem a evitar clicar nos anúncios por medo. Talvez seja mesmo preciso reinventar o modelo de negócios que mantém os sites da internet, ou talvez seja preciso apenas criar ferramentas de segurança mais eficazes. O que é mais fácil?

Post relacionado: O perigo mora no clique: saiba quais buscadores são mais confiáveis (ou menos arriscados)

:.: O assunto repercutiu nos principais portais brasileiros: Estadão, Globo, Folha. Sempre com base numa nota da Agência EFE. Ah, os jornalistas, esses apressados. Limitaram-se a copiar os dados da notinha, até com os mesmos exemplos, sem se dar ao trabalho de ler o estudo original, da McAfee. Pra quem não sabe, a McAfee, famosa pelo antivírus de mesmo nome, tem um serviço on-line (que pode ser instalado como plugin no seu Firefox) para avaliar os riscos das páginas por onde você está navegando. O SiteAdvisor avisa antes que a ameaça de vírus, spyware ou fraudes on-line se concretize.

:.: Com base na análise dos dados gerados pelo SiteAdvisor, a McAfee publica de tempos em tempos um relatório. O último havia sido em maio, quando foram avaliados cerca de 3 milhões de sites. Agora, acaba de ser divulgado um novo estudo, que colheu informações em nada menos que 7,9 milhões de sites.

:.: Como é feita a classificação?

:.: Os sites perigosos foram classificados como amarelos ou vermelhos. Os amarelos adotam práticas condenáveis, como mostrar muitas janelas “pop-up”, mandar muitos e-mails para os visitantes, ou levar o usuário a mudar as configurações de seu browser. Os vermelhos, potencialmente mais perigosos, foram os que efetivamente falharam nos testes da McAfee, distribuindo “adware”, mandando grande volume de “spams” ou fazendo alterações não autorizadas no computador do usuário.

:.: Todos os 5 maiores mecanismos de busca (utilizados em 91% dos casos em que se faz busca na Web nos Estados Unidos) incluem resultados perigosos. O AOL traz menos sites arriscados, e o Yahoo!, mais. Na média, 4,4% dos resultados são links para sites potencialmente perigosos.

:.: Como o usuário está se comportando?

:.: O estudo parte da premissa que os mecanismos de busca são a principal porta de entrada na Internet. Cerca de 80% de acessos à rede começam por eles. O problema é que os rankings gerados pelos sites de busca não explicitamente focam em segurança. Pelo menos um terço das pessoas que fazem busca na Web simplesmente acham que as empresas listadas nos primeiros lugares são as maiores em seus setores de atuação, indicando que muitos usuários, erroneamente, associam confiabilidade com altas posições nos resultados de busca.

:.: Mas, alerta a McAfee, boas colocações não são um reflexo de segurança. A não ser que os usuários estejam escolhendo sites em que confiam por experiências anteriores, eles estarão se expondo a numerosas ameaças.

:.: O que mudou de maio pra cá?

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:.: A porcentagem de resultados amarelos e vermelhos caiu, de 5,0% para 4,4%. Google, AOL e Ask tem resultados mais seguros, e Yahoo! e MSN pioraram. Os fatores, segundo o estudo, podem ser vários. Alguns mecanismos de busca mudaram seus algoritmos (os complicados cálculos matemáticos que levam até os resultados). Outros mudaram sua sistemática de anúncios pagos. E a própria pesquisa da McAfee mudou, agregando novos termos de busca.

:.: Mas os números ainda são seriamente preocupantes. São vários os tipos de riscos. De todos os resultados que foram classificados como vermelhos ou amarelos, 24,5% revelaram downloads suspeitos, 41,4% práticas condenáveis de e-mail, 26,8%, scams (esquemas fraudulentos), e 31,2% eram links para páginas que apresentavam essas práticas. Pior: em 3% dos casos amarelos ou vermelhos, havia riscos ocultos para o usuário, que poderiam danificar seriamente seu computador bastando apenas acessar tais sites.

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:.: A implementação recente, pelo Google, de uma página de aviso parece ter realmente melhorado os resultados. A McAfee avalia como sendo um belo esforço, mas… apenas 18% das páginas que representavam risco foram realmente identificadas por esse novo mecanismo. Ou seja: não dá pra confiar. Ainda.

:.: O estudo da McAfee avalia também os principais termos que geram resultados arriscados, e a relação entre resultados orgânicos (aqueles gerados de acordo com critérios de relevância) e resultados patrocinados, mas isso é assunto para as partes 2 e 3 deste post, que serão publicados em breve aqui no Busca na Web.

Post relacionado: Mecanismos de busca são mantidos por piratas da internet: os riscos dos “links patrocinados”

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