Fevereiro 2007


:.: Não, não é apenas um título metido a besta, embora seja. Na verdade, é uma expressão idiomática que aprendi no “Inglês pra que?“, um blog com dicas para quem está aprendendo inglês, ou já sabe e quer “improve”.

:.: E resolvi falar disso porque desde que comecei o blog me pego angustiado por não conseguir atualizá-lo no ritmo que gostaria. Então, resolvi partir pro “menos é mais”, ou seja, de vez em quando vou registrar em conjunto novidades que me chamam a atenção, e que podem ser úteis na descoberta de informações na Web. As de hoje, portanto:

* Inglês pra que? – Blog pra quem quer e nem sempre consegue aprender inglês. Escrito por Levy Carneiro Jr., “um estudante do Inglês que ama esta língua e o que ela pode oferecer”.

* História dos Mecanismos de Busca – artigo de um designer que, embora bem resumido, fala de buscadores importantes, como o Searchmash, a experiência futurista do Google. Eu, por exemplo, fiquei bem interessado em conhecer o Ontoweb, que por si só vale o item abaixo.

* Ontoweb – “um buscador de informações governamentais de mídia eletrônica, primeiro no mundo a juntar engenharia de ontologias, semânticas, estruturas valorativas e técnicas de inteligência artificial para refinar os resultados”.

* 1ª. Conferência Web 2.0 – Essa, vai ser uma pena perder. Soube agora que as inscrições já estão esgotadas. Mas acho que vale a pena tentar se informar sobre o rumo das discussões. Vai ser em São Paulo, a partir de 28 de fevereiro.

:.: Ah, e a propósito: “getting up to speed” quer dizer ”ficando por dentro dos fatos.” Quem ensina é o Inglêspraque.com.

If a Blog Falls

- “Se uma árvore cai na floresta, e ninguém bloga a respeito, isso faz alguma diferença?”

:.: Sei não, mas quando vi essa charge achei que tinha muito a ver com busca na Web. Por um lado, porque demonstra a força dos blogs, e por extensão da internet. Por outro, cá pra nós, porque pode revelar na verdade uma baita pretensão.

:.: De qualquer forma, o que não é dito pelo chargista é que a inspiração para o cartoon vem de um dito filosófico do irlandês George Berkeley: “to be is to be perceived” (ser é ser percebido). Diz ele que ““If a tree falls in the forest and no one is there to hear it, does it make a sound?” (Se uma árvore cai na floresta e não há ninguém lá pra ouvir, isso faz algum barulho?)

:.: A frase é uma das 11 escolhidas pelo neatorama como as melhores citações filosóficas de todos os tempos.

:.: E já que estamos refletindo sobre as grandes questões da existência humana, algumas dicas de busca sobre filosofia:

Argos: serviço que indexou o conteúdo de alguns sites listados no Diretório de Links de Filosofia. Funciona como uma busca específica de filosofia em sites selecionados, com conteúdo em português.

Lechuza: mecanismo de busca especializado em filosofia. Em espanhol.

Sobresites de Filosofia: pra quem não conhece, o Sobresites é uma reunião de guias especializados em diversas áreas, geralmente escritos por quem entende dos assuntos. Tem de hinduísmo a video-games. O guia de Filosofia vale a visita. Foi editado por Luiz Fontenelle.

seminariostf.jpg  :.: O seminário aí ao lado acabou ontem, e foi ótimo, apesar de deixarem de fora pontos importantes, como a organização e recuperação de informações que já nascem digitais, em áudio ou vídeo. 

:.: E olha que o evento foi todo gravado em vídeo, transmitido ao vivo pela internet, e o Supremo Tribunal Federal, organizador, tem a TV Justiça que poderia ter dado ótimo depoimento de como organiza o que grava e exibe.

:.: Saí de lá um pouco com a impressão de que os profissionais de informação (especialmente bibliotecários, arquivistas e mesmo o pessoal de informática) atuam às vezes meio como aquela mãe que vê o quarto do filho bagunçado, arregaça as mangas, vai lá, arruma, estabelece o lugar de cada coisa, e no dia seguinte, quando volta e vê tudo bagunçado de novo, fica revoltada com o filho.

:.: E se ela tivesse pedido para ele definir o lugar das coisas, a partir de um método que fosse mais fácil para ele guardar e achar aquilo de que precisar? E se ela tivesse apenas orientado a partir de sua experiência, mas feito com que assumisse a responsabilidade pela organização?

:.: Achei ótima a frase da Ministra Ellen Gracie, na apresentação: “quando lembro que apenas 79 volumes compunham a estante pessoal de Thomas Jefferson (núcleo a partir do qual se formou a Biblioteca do Congresso Norte-Americano), não posso deixar de considerar a enorme responsabilidade que nos toca no limiar deste século XXI.”

:.: Foram três dias em que as discussões se alternaram entre conceitos básicos e aprofundamentos teóricos, além da demonstração de cases interessantes, como o Projeto Lexml Brasil, do Prodasen, apresentado pelo analista de informática legislativa do Senado Federal, João Alberto de Oliveira Lima 

:.: Aliás, João Lima deu show. Insistiu que a vida é curta, e o tempo do usuário, também. Por isso, é preciso criar condições para que ele encontre as informações que procura o mais rápido possível. Parece óbvio, mas quando você faz uma consulta e o buscador retorna mais de um milhão de respostas, fica claro que algo está errado. “Quem gosta de pesquisar”, disse ele, “é bibliotecário. O usuário gosta é de encontrar.”

:.: No encontro, falaram muito sobre as possibilidades – mais que isso – necessidades para que os registros (e consequentemente a recuperação das informações) possam acontecer de forma integrada. 

:.: A sigla do momento é XML, seguida de outros termos: Open Archive, Open Access, URN, Web Semântica, ontologias, interoperabilidade, Governo Eletrônico,  e-Ping, cross-ref. Quer saber mais sobre isso tudo? Eu também. Um bom começo é ler os resumos das palestras, aqui.