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:.: O recente relatório da McAfee, que reflete a insegurança envolvida numa simples operação de busca na Web, traz um dado impressionante, que está sendo pouco destacado: os sites pagos que aparecem como resultado de uma pesquisa são aproximadamente três vezes mais arriscados que os listados a partir de critérios de relevância (orgânicos). Isso quer dizer que os mecanismos de busca são mantidos, em boa parte, por esquemas fraudulentos, e verdadeiros piratas da internet.

:.: O mercado de busca paga vai atingir, só nos Estados Unidos,  a marca de 16 bilhões de dólares em 2006, segundo pesquisa eMarketer. Considerando que os preços de anúncio pagos pelos sites arriscados são iguais aos pagos por quaisquer outros, a McAfee conclui que os mecanismos de busca vão lucrar, levando perigo aos usuários, U$ 1,28 bilhão. E é a empresa de Bill Gates que tem a maior parte de anúncios pagos arriscados: mais de um a cada dez. O Ask tem os menores índices, não menos preocupantes: 6,5%.

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 :.: A favor dos mecanismos de busca, se diga que eles proibem práticas fraudulentas, nos termos e condições dos contratos assinados com os anunciantes. Mas parece que isso não basta.

:.: De que tipo de riscos estamos falando?

:.: Pela sistemática de avaliação da McAfee (que você conhece melhor aqui), os sites arriscados são classificados em duas categorias: amarelo ou vermelho. E o que eles trazem de presente? Os amarelos adotam práticas condenáveis, como mostrar muitas janelas “pop-up”, mandar muitos e-mails para os visitantes, ou levar o usuário a mudar as configurações de seu browser. Os vermelhos, potencialmente mais perigosos, foram os que efetivamente falharam nos testes da McAfee, distribuindo “adware”, mandando grande volume de “spams” ou fazendo alterações não autorizadas no computador do usuário. freedownloadscobrados.jpg

:.: Dentre as ameaças mais comuns, está a malandragem de cobrar por um download que deveria ser gratuito. São casos como o da figura ao lado, em que um espertinho quer cobrar pelo Firefox, que todo mundo sabe que é gratuito. Outros querem cobrar, por exemplo, para fazer cadastro na loteria do Green Card, o visto permanente para os EUA.  Mas o cadastro não é cobrado pelo governo americano.

 :.:  Outros riscos envolvem facilidades, mamatas, que atraem pela má fé dos próprios usuários. Aqueles esquemas de pirâmides que vão fazer a pessoa enriquecer, ou belas oportunidades de virar magnata trabalhando em casa. falsokazaa.jpg

:.: A McAfee remete a um outro estudo, de Benjamin Edelman, bem esclarecedor sobre o tipo de riscos que podem estar nos links patrocinados, especialmente do Google. Faz concluir que é preciso analisar muito bem o anúncio antes de clicar nele. Uma das artimanhas seria ter endereços semelhantes a sites conhecidos. Este aí ao lado, por exemplo, se faz passar pelo Kazaa.

:.: O estudo de Edelman acusa o Google, diretamente, de ser responsável nos casos em que os anúncios causem transtornos aos usuários. Eu estou com ele. E vou além. Fico pensando o que será da busca paga se todos passarem a evitar clicar nos anúncios por medo. Talvez seja mesmo preciso reinventar o modelo de negócios que mantém os sites da internet, ou talvez seja preciso apenas criar ferramentas de segurança mais eficazes. O que é mais fácil?

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