:.: O assunto repercutiu nos principais portais brasileiros: Estadão, Globo, Folha. Sempre com base numa nota da Agência EFE. Ah, os jornalistas, esses apressados. Limitaram-se a copiar os dados da notinha, até com os mesmos exemplos, sem se dar ao trabalho de ler o estudo original, da McAfee. Pra quem não sabe, a McAfee, famosa pelo antivírus de mesmo nome, tem um serviço on-line (que pode ser instalado como plugin no seu Firefox) para avaliar os riscos das páginas por onde você está navegando. O SiteAdvisor avisa antes que a ameaça de vírus, spyware ou fraudes on-line se concretize.

:.: Com base na análise dos dados gerados pelo SiteAdvisor, a McAfee publica de tempos em tempos um relatório. O último havia sido em maio, quando foram avaliados cerca de 3 milhões de sites. Agora, acaba de ser divulgado um novo estudo, que colheu informações em nada menos que 7,9 milhões de sites.

:.: Como é feita a classificação?

:.: Os sites perigosos foram classificados como amarelos ou vermelhos. Os amarelos adotam práticas condenáveis, como mostrar muitas janelas “pop-up”, mandar muitos e-mails para os visitantes, ou levar o usuário a mudar as configurações de seu browser. Os vermelhos, potencialmente mais perigosos, foram os que efetivamente falharam nos testes da McAfee, distribuindo “adware”, mandando grande volume de “spams” ou fazendo alterações não autorizadas no computador do usuário.

:.: Todos os 5 maiores mecanismos de busca (utilizados em 91% dos casos em que se faz busca na Web nos Estados Unidos) incluem resultados perigosos. O AOL traz menos sites arriscados, e o Yahoo!, mais. Na média, 4,4% dos resultados são links para sites potencialmente perigosos.

:.: Como o usuário está se comportando?

:.: O estudo parte da premissa que os mecanismos de busca são a principal porta de entrada na Internet. Cerca de 80% de acessos à rede começam por eles. O problema é que os rankings gerados pelos sites de busca não explicitamente focam em segurança. Pelo menos um terço das pessoas que fazem busca na Web simplesmente acham que as empresas listadas nos primeiros lugares são as maiores em seus setores de atuação, indicando que muitos usuários, erroneamente, associam confiabilidade com altas posições nos resultados de busca.

:.: Mas, alerta a McAfee, boas colocações não são um reflexo de segurança. A não ser que os usuários estejam escolhendo sites em que confiam por experiências anteriores, eles estarão se expondo a numerosas ameaças.

:.: O que mudou de maio pra cá?

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:.: A porcentagem de resultados amarelos e vermelhos caiu, de 5,0% para 4,4%. Google, AOL e Ask tem resultados mais seguros, e Yahoo! e MSN pioraram. Os fatores, segundo o estudo, podem ser vários. Alguns mecanismos de busca mudaram seus algoritmos (os complicados cálculos matemáticos que levam até os resultados). Outros mudaram sua sistemática de anúncios pagos. E a própria pesquisa da McAfee mudou, agregando novos termos de busca.

:.: Mas os números ainda são seriamente preocupantes. São vários os tipos de riscos. De todos os resultados que foram classificados como vermelhos ou amarelos, 24,5% revelaram downloads suspeitos, 41,4% práticas condenáveis de e-mail, 26,8%, scams (esquemas fraudulentos), e 31,2% eram links para páginas que apresentavam essas práticas. Pior: em 3% dos casos amarelos ou vermelhos, havia riscos ocultos para o usuário, que poderiam danificar seriamente seu computador bastando apenas acessar tais sites.

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:.: A implementação recente, pelo Google, de uma página de aviso parece ter realmente melhorado os resultados. A McAfee avalia como sendo um belo esforço, mas… apenas 18% das páginas que representavam risco foram realmente identificadas por esse novo mecanismo. Ou seja: não dá pra confiar. Ainda.

:.: O estudo da McAfee avalia também os principais termos que geram resultados arriscados, e a relação entre resultados orgânicos (aqueles gerados de acordo com critérios de relevância) e resultados patrocinados, mas isso é assunto para as partes 2 e 3 deste post, que serão publicados em breve aqui no Busca na Web.

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