:.: Aconteceu nos Estados Unidos, claro: Matthew Schuster, técnico de computação, pegou 15 meses de prisão por “hackear” a empresa em que trabalhava. “Hackear”, entenda-se, quer dizer invadir sistemas operacionais, ou páginas de internet. Neste caso, Schuster se valeu para isso de uma arma poderosa, para quem sabe usar: o Google.

:.:  A história, contada pela CNET News, é a seguinte: o tal do Matthew começou a trabalhar para a Alpha Computer Services em 2000. Ele dava suporte técnico a um sistema  wireless chamado CWWIS, do qual também era usuário como consumidor.

:.: O rapaz foi demitido em 2003. O serviço que ele usava em casa foi bloqueado, e ele recebeu de volta o que já tinha pago adiantado.  Porém, Matthew continuou a acessar a rede e, segundo a acusação, para isso usava logins e senhas de outros clientes. Isso, segundo a empresa, além de ilegal, prejudicava o acesso dos usuários legítimos.

:.: Em outubro de 2003, a polícia conseguiu um mandado de busca e apreendeu o computador que ele usava. Schuster foi processado e declarado culpado, com pena de 15 meses de prisão, restituição de u$ 19.060,00 e três anos em regime de liberdade condicional. Ele recorreu e perdeu.

:.: O curioso, nessa história, é que foram usados, como peça de acusação, os termos de busca que eram digitados quando Matthew fazia pesquisas no Google. E ele usou: “fazer equipamento para interferir em rede wireless”, e  “como criar interferência s0bre wifi 2.4 GHZ”, e ainda “interferência em redes wireless 2.4”.

:.: São três as hipóteses sobre a maneira como o FBI descobriu esses termos: uma análise da memória cache do histórico do browser (o navegador), a denúncia de algum funcionário da Alpha encarregado de monitorar o sistema, ou simplesmente um pedido feito pela polícia ao Google, que teria a possibilidade de identificar o usuário relacionando o seu endereço IP a cookies (pequenos arquivos de texto gravados em seu micro quando você visita um site).

:.: O Google, diz a CNET News, admite que tem condições de repasssar esse tipo de informação, mas negou veementemente que faça isso, ou qual o volume de pedidos desse tipo. A Microsoft disse jamais ter recebido esse tipo de pedidos, em função de buscas no MSN. Já a AOL diz que não poderia revelar os dados, mesmo se quisesse.

:.: E você, em que acredita? É legítimo usar os dados de busca como prova do que quer que seja?